Sobre a Tradução Brasileira (TB)
A Tradução Brasileira (TB) ocupa um lugar único na história: foi a primeira tradução completa da Bíblia realizada em solo brasileiro, fruto de um projeto iniciado em 1902 e concluído com a publicação da Bíblia inteira em 1917, sob os auspícios das sociedades bíblicas então atuantes no país. A comissão reuniu biblistas e contou com consultores ilustres das letras nacionais, entre os quais são lembrados Rui Barbosa, José Veríssimo e Heráclito Graça, o que lhe rendeu prestígio linguístico raro. A Sociedade Bíblica do Brasil a reeditou em 2010, devolvendo-a ao público.
Na filosofia de tradução, a TB é radicalmente formal: talvez a mais literal das versões clássicas em português, verte com rigor a estrutura do hebraico e do grego e ganhou por isso o apelido de "tradução pra valer". Elaborada quando a crítica textual moderna já influenciava as sociedades bíblicas, apoiou-se no Texto Massorético para o Antigo Testamento e nas edições críticas do Novo Testamento grego disponíveis na virada do século XX, afastando-se do Textus Receptus.
Uma marca curiosa é o tratamento dos nomes próprios, transliterados com proximidade do hebraico, de modo que o leitor encontra grafias inesperadas em relação às versões correntes. A linguagem é a norma culta do início do século XX: exige leitor maduro, mas recompensa com precisão. A TB é indicada para estudiosos, pesquisadores da história da Bíblia no Brasil e leitores que desejam sentir a estrutura dos originais através do português.
Comparada à ARC, sua contemporânea de uso, a TB é mais literal e criticamente mais moderna na base textual; comparada às versões atuais, é um documento vivo de outra época da língua. Escolha-a como segunda Bíblia de estudo e como janela para o momento fundador da tradução bíblica genuinamente brasileira.
Indicada para: estudiosos, pesquisadores e leitores que buscam literalidade máxima