1

Se eu falar as línguas dos homens e dos anjos e não tiver caridade, tenho-me tornado como o bronze que soa ou como o címbalo que retine.

2

Se eu tiver o dom de profecia e souber todos os mistérios e toda a ciência; se tiver toda a fé, a ponto de remover montes, e não tiver caridade, nada sou.

3

Se eu distribuir todos os meus bens em sustento dos pobres e se entregar o meu corpo para ser queimado, se, todavia, não tiver caridade, isso nada me aproveita.

4

A caridade é longânima, é benigna; a caridade não é invejosa, não se jacta, não se ensoberbece,

5

não se porta inconvenientemente, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal,

6

não se regozija com a injustiça, mas regozija-se com a verdade;

7

tudo suporta, tudo crê, tudo espera, tudo sofre.

8

A caridade jamais se acaba; mas, quer haja profecias, desaparecerão; quer línguas, cessarão; quer ciência, desaparecerá.

9

Pois, em parte, conhecemos e, em parte, profetizamos;

10

mas, quando vier o que é perfeito, o que é em parte desaparecerá.

11

Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; desde que me tornei homem, dei de mão às coisas de menino.

12

Pois, agora, vemos como por um espelho, em enigma; mas, então, face a face; agora, conheço em parte, mas, então, conhecerei plenamente, assim como fui plenamente conhecido.

13

Mas, agora, permanecem estas três: a fé, a esperança, a caridade; porém a maior destas é a caridade.

TB - ©️ 2010 Sociedade Bíblica do Brasil. Todos os direitos reservados. Texto bíblico utilizado com autorização.

Entenda 1 Coríntios 13

O apóstolo Paulo escreveu a Primeira Carta aos Coríntios por volta do ano 55 d.C., da cidade de Éfeso, à igreja que ele mesmo havia fundado em Corinto, próspero porto comercial da Grécia. Aquela comunidade estava dividida por rivalidades e orgulho espiritual: os crentes disputavam quem tinha os dons mais impressionantes, como línguas e profecia. O capítulo 13 nasce exatamente dessa crise. Entre os capítulos 12 e 14, que tratam dos dons espirituais, Paulo insere o que chama de "caminho sobremodo excelente": o amor.

O capítulo tem três partes claras. Nos versículos 1 a 3, Paulo mostra a necessidade do amor: línguas, profecia, conhecimento, fé que move montanhas e até o martírio, sem amor, valem nada. Nos versículos 4 a 7, ele descreve o amor em quinze verbos: o amor é paciente, é benigno, não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não busca os seus interesses, não se ressente do mal, tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Nos versículos 8 a 13, afirma a permanência do amor: profecias e línguas passarão, mas o amor jamais acaba.

O versículo 1 abre com a imagem mais forte: falar línguas de homens e de anjos sem amor é ser "como o bronze que soa ou como o címbalo que retine", barulho vazio. Os versículos 4 e 5 definem o amor não como sentimento, mas como conduta: paciência, bondade, humildade e perdão são verificáveis no dia a dia. E o versículo 13 conclui com a tríade que resume a vida cristã: "Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior destes é o amor", porque na eternidade a fé se tornará visão e a esperança se cumprirá, mas o amor permanecerá.

Embora seja muito lido em casamentos, 1 Coríntios 13 foi escrito para uma igreja em conflito, e é aí que ele mais desafia: no trato com pessoas difíceis, nas redes sociais, nas divergências entre cristãos. Um exercício prático clássico é substituir a palavra "amor" pelo próprio nome nos versículos 4 a 7 e verificar o que não se sustenta. O capítulo lembra que maturidade espiritual não se mede por dons, conhecimento ou ativismo, mas pela capacidade concreta de amar.

Perguntas frequentes

O que é o amor segundo 1 Coríntios 13?

Segundo 1 Coríntios 13, o amor é uma atitude prática, não apenas um sentimento: é paciente, bondoso, não invejoso, não orgulhoso, não egoísta, não guarda rancor, não se alegra com a injustiça, tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta. É o amor que reflete o caráter de Deus nas relações humanas.

Por que 1 Coríntios 13 é chamado de "capítulo do amor"?

Porque é o texto bíblico que trata do amor de forma mais direta e completa: Paulo afirma que sem amor nenhum dom, conhecimento ou sacrifício tem valor, descreve o amor em quinze ações concretas e conclui que, entre fé, esperança e amor, o amor é o maior, pois é o único que permanece para sempre.

1 Coríntios 13 fala sobre casamento?

Não diretamente. Paulo escreveu o capítulo para corrigir uma igreja dividida por disputas sobre dons espirituais, ensinando que o amor vale mais que qualquer dom. Mesmo assim, a descrição do amor nos versículos 4 a 7 se aplica perfeitamente ao casamento, e por isso o texto se tornou leitura tradicional em cerimônias.

Atalhos de Teclado

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